VIOLÊNCIA EM TEMPOS DE COVID -19

SOCIEDADE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM FORENSE

 

VIOLÊNCIA EM TEMPOS DE COVID -19

 

20 de maio de 2020

 

Ao longo dos últimos meses a pandemia do COVID-19 tem trazido importantes desafios para a população brasileira, dentre estes não poderíamos deixar de chamar atenção do aumento dos casos de violência. Se por um aspecto, o isolamento social imposto pela pandemia potencializou os indicadores acerca da violência doméstica contra mulheres, crianças e idosos, por outro temos a violência institucional, governamental e interpessoal contra profissionais da saúde.

No Brasil, de acordo com as informações da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH), do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), entre os dias 17 e 25 de março, houveram de 7 mil ligações e quase mil denúncias de violência doméstica. O Fórum Brasileiro de Segurança Pública no mês de abril apontou que os números de ocorrências de violência doméstica aumentaram em seis estados brasileiros, em comparação com o mesmo período do ano passado.

Entre os aspectos que colaboram para o aumento dos casos estão: maior tempo de convivência com o agressor; dependência financeira, menor contato social da vítima com amigos e familiares e com a rede social de apoio.  Vale ressaltar que o isolamento também reduz a capacidade de muitas mulheres procurarem ajuda, uma vez que estão sobrecarregadas com atividades domésticas e laborais.  Além disso, a restrição ao domicilio provoca o medo da violência também atingir seus filhos.

Em relação à violência contra a pessoa idosa, observa-se o aumento do abandono, idosos em situação de vulnerabilidade tentam sobreviver em meio ao caos. O descaso com essa parcela da população aumentou nesses tempos de pandemia. A violência neste caso não se apresenta apenas de forma física, mas psicológica e patrimonial.

Infelizmente, percebemos que embora haja o agravamento da violência doméstica, sobretudo contra mulheres, crianças e idosos, há a redução ao acesso a serviços de apoio às vítimas no Brasil, principalmente os de saúde que estão priorizando ações de  controle a Pandemia.

No que concerne aos profissionais de saúde, muitos destes além de enfrentar o estresse de inúmeros protocolos, falta de equipamentos de proteção individual adequados, insegurança e distanciamento dos familiares, também estão precisando suportar situações preconceituosas e até mesmo de agressões verbais e físicas durante o trajeto para suas casas ou trabalho. Hoje, a mesma sociedade que os aplaude nas varandas e janelas também inflige sofrimento aos que cuidam e que nem sequer tem a opção de se isolarem em casa. O resultado disso? Desesperança, temor, adoecimento físico e mental desses trabalhadores.

Nesse sentido, a Sociedade Brasileira de Enfermagem Forense vem publicamente demonstrar repúdio a qualquer tipo de violência potencializada em tempos de pandemia e alertar gestores governamentais e institucionais, sociedade civil e órgãos de classe quanto a importância da discussão e formulação de estratégias de proteção para vítimas de violência doméstica, assim como para os profissionais de saúde.

Ressalta-se que a busca pela efetivação dos direitos humanos tem como imperativo o enfrentamento a todas as manifestações que legitimam, naturalizam ou justificam qualquer tipo de violência, independente do momento trágico imposto pela pandemia.

Sociedade Brasileira de Enfermagem Forense

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