Violência contra mulher – Em busca de um lugar seguro no Brasil – Será que ele existe?

Desde os primórdios, a mulher vem sendo vítima de violência. Como se esse ato vil de crueldade contra as mulheres fosse algo absolutamente normal, em diversas culturas, países e crenças. As vezes mais tolerado, outras vezes de forma velada e em alguns casos condenado. Mas o que se passa entre quatro paredes, muitas vezes não temos como saber, talvez somente as consequências.

A cada dia tantas Marias, Alices, Joanas, Patricias, Paulas, Roses, Elaines, Carolines  e tantas outras sofrem de violência domestica, na maioria dos casos sem ter como lutar, fugir ou se esconder. O medo de perder os filhos e o lar as faz reféns da violência que cresce a cada dia.

De acordo com organização Mundial de Saúde – OMS – a violência contra as mulheres ocorre em sua maioria por parceiro íntimo acompanhada de violência sexual, considerada um problema de saúde pública e uma violação dos direitos humanos das mulheres.

Estimativas globais publicadas pela OMS indicam que cerca de 1 em cada 3 (35%) das mulheres em todo o mundo sofreram violência física ou sexual por parceiro íntimo ou violência sexual por não-parceiros durante a sua vida.

Globalmente, até 38% dos assassinatos de mulheres são cometidos por um parceiro íntimo do sexo masculino.

A violência pode afetar negativamente a saúde física, mental, sexual e reprodutiva das mulheres e pode aumentar o risco de contrair o HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis.

Os homens são mais propensos a cometer violência se tiverem baixa escolaridade, histórico de maus-tratos infantis, exposição à violência doméstica contra suas mães, abuso de álcool, cultura de gênero desiguais, incluindo atitudes que aceitam a violência como um senso de direito sobre as mulheres.

As mulheres com maior risco de sofrer violência por parceiro íntimo são aquelas com baixa escolaridade, que cresceram vendo as  mães sendo abusadas por um parceiro, que sofreram abuso durante a infância e atitudes que aceitem violência, privilégio masculino e status subordinado em relação aos homens.

Há evidências, de que as intervenções de aconselhamento de defesa e empoderamento das mulheres, bem como a visita domiciliar para aconselhamento matrimonial, são promissoras na prevenção ou redução da violência praticada pelo parceiro íntimo contra a mulher.

Situações de conflito, pós-conflito e deslocamento podem exacerbar a violência existente, como por parceiros íntimos, bem como a violência sexual por não-parceiros, e também levar a novas formas de violência contra as mulheres.

As Nações Unidas definem violência contra as mulheres como “qualquer ato de violência baseada em gênero que resulte em, ou seja provável que resulte em dano ou sofrimento físico, sexual ou mental para as mulheres, incluindo ameaças de tais atos, coerção ou privação arbitrária de liberdade, seja na vida pública ou na vida privada

Violência por parceiro íntimo  refere-se ao comportamento de um parceiro íntimo ou ex-parceiro que cause danos físicos, sexuais ou psicológicos, incluindo agressão física, coerção sexual, abuso psicológico e comportamento de controle.

Violência sexual  é qualquer ato sexual, tentativa de obter um ato sexual, ou outro ato dirigido contra a sexualidade de uma pessoa usando coerção, por qualquer pessoa independentemente de sua relação com a vítima, em qualquer situação. Inclui estupro, definido como sexo forçado fisicamente,  ou penetração forçada da vulva ou ânus com um pênis, outra parte do corpo ou objeto.

Nos últimos 12 meses, 1,6 milhão de mulheres foram espancadas ou sofreram tentativa de estrangulamento no Brasil, enquanto 22 milhões (37,1%) de brasileiras passaram por algum tipo de assédio. Dentro de casa, a situação não foi necessariamente melhor. Entre os casos de violência, 42% ocorreram no ambiente doméstico. Após sofrer uma violência, mais da metade das mulheres (52%) não denunciou o agressor ou procurou ajuda.

Estes dados foram um levantamento do Datafolha,   resultado de uma pesquisa feita em fevereiro de 2019, encomendada pela ONG Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), para avaliar o impacto da violência contra as mulheres no Brasil.

O levantamento, divulgado nesta terça-feira, (26/02/2019) levantou algumas questões como se há a  existência de espaços em que as mulheres possam se sentir efetivamente seguras em nosso país. A mulher sofre violência dentro de casa, pega o metrô para ir para o trabalho, onde pode ser assediada. Existe  lugar seguro, então?

Os novos dados corroboram o que outras pesquisas já apresentavam. Grande parte das mulheres que sofreram violência relatam que o agressor era alguém conhecido (76,4%). Mulheres pretas e pardas são mais vitimadas do que as brancas; as jovens, mais do que as mais velhas.

De acordo Samira Bueno diretora executiva do Fórum “ Há 536 casos por hora de violência contra mulher no Brasil e quase a mesma proporção de mulheres que relatam terem sido vítima  de algum tipo de violência sexual. O número de mulheres que sofreram espancamento é assustador (1,6 milhão). Todos esses dados remetem à violência doméstica: 76,4% das mulheres conheciam o autor da violência, a maior parte aconteceu dentro de casa.

Precisamos entender a gravidade destes dados, bem como encontrar soluções urgentes para minimizar este fato. Toda forma de violência deve ser repudiada, as a violência doméstica persiste destruindo famílias e sonhos construídos quando ainda se acreditava que poderia haver felicidade ao lado de um parceiro.

 

Para saber mais:

https://www.bbc.com/portuguese/brasil-47365503

http://www.unifesp.br/reitoria/dci/edicao-atual-entreteses/item/2590-um-estupro-a-cada-11-minutos

https://nacoesunidas.org/wp-content/uploads/2018/08/Position-Paper-Direitos-Humanos-das-Mulheres.pdf

Visível e invisível: a vitimização de mulheres no Brasil 2° edição

 

 

 

 

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