Suicídio – A morte como opção

A cada dia um número cada vez maior de pessoas atentam contra sua própria vida e uma boa parte delas consegue atingir seu objetivo.

O suicídio é o ato de acabar com a própria vida. O suicídio é uma das principais causas de morte em países desenvolvidos e não há uma única razão pela qual alguém possa atentar tomar sua própria vida, mas certos fatores podem aumentar o risco. Alguém pode ser mais provável que tente suicídio se tiver um transtorno de saúde mental.

O termo suicídio só pode ser usado no caso de morte ou de circunstâncias cuja sequência causal levam à morte e na qual tenha havido intencionalidade do sujeito. 1,2,3

De acordo com estatísticas cerca de 90% das pessoas que cometem suicídio têm uma doença mental no momento da morte, sendo a depressão o principal fator de risco, mas existem vários outros transtornos de saúde mental, que podem contribuir para o suicídio, incluindo transtorno bipolar e esquizofrenia. A morte por suicídio é a 3º causa mais frequente de morte na população de 14 a 44 anos de alguns países desenvolvidos. Estima-se que as tentativas de suicídio sejam 20 vezes mais comuns, do que o suicídio consumado, sendo que homens cometem mais suicídio com êxito do que as mulheres que em sua maioria tentam a prática sem êxito.1

De acordo com o Boletim divulgado pelo Ministério da Saúde em setembro de 2017, cerca de 11 mil pessoas morrem de causa suicídio todos os anos no Brasil, entre 2011 e 2016, 62.804 pessoas tiveram como causa de morte o suicídio, sendo 79% homens e 21% mulheres. A taxa de mortalidade por suicídio de homens é 4 vezes maior do que das mulheres no período citado acima. Sendo assim os dados do Ministério da Saúde demonstram que são 8,7 suicídios de homens e 2,4 de mulheres para cada 100 mil habitantes.2

Além de doenças mentais, outros fatores de risco estão associados a tentativa de suicídio e suicídio real. Eles incluem: 1-7

  • tentativas de suicídio anteriores
  • abuso de substâncias
  • encarceramento
  • história familiar de suicídio
  • baixos níveis de satisfação no trabalho
  • história de abuso ou testemunho de abuso contínuo
  • diagnóstico de uma condição médica grave, como câncer ou HIV
  • isolamento social ou ser vítima de bullying

Indivíduos que demonstram estar em maior risco de suicídio são:

  • homens
  • pessoas maiores de 45 anos
  • Caucasianos e índios – Brasil 2

De acordo com o site Nações unidas.org o suicídio é um importante problema de saúde pública em todo o mundo. Afeta famílias, comunidades e países inteiros. Os dados abaixo demonstram a gravidade deste fato na população mundial:

  • Aproximadamente 800 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano.
    • A cada suicídio, há muito mais pessoas que tentam o suicídio a cada ano. A tentativa prévia é o fator de risco mais importante para o suicídio na população em geral.
    • O suicídio é a segunda principal causa de morte entre jovens com idade entre 15 e 29 anos.
    • 78% dos suicídios no mundo ocorrem em países de baixa e média renda.
    • Ingestão de pesticida, enforcamento e armas de fogo estão entre os métodos mais comuns de suicídio no mundo. ( https://nacoesunidas.org/campanha-da-onu-busca-conscientizar-populacao-sobre-prevencao-ao-suicidio/)

As pessoas com pensamentos suicidas são muitas vezes surpreendidas por sentimentos de tristeza e desesperança e acham que não têm outra opção. Embora possa ser difícil saber como alguém está se sentindo por dentro, vários comportamentos podem indicar tendências suicidas. É importante reconhecer esses sinais de alerta para possamos ajudar o outro que esteja passando por pensamentos suicidas. Muitas vezes uma conversa ou um conselho pode ajudar a evitar uma tentativa de suicídio ou morte trágica.

O potencial suicida apresenta na maioria das vezes sinais e sintomas que podemos identificar:

Você não pode ver o que uma pessoa está sentindo por dentro, portanto, nem sempre é fácil identificar alguém que esteja tendo pensamentos suicidas. No entanto, alguns sinais de alerta externos que uma pessoa pode contemplar o suicídio incluem:

  • Falar sobre sentir-se sem esperança
  • Falar que não tem motivos para viver
  • Doar bens pessoais sem razão
  • dormir demais ou muito pouco
  • comer muito pouco ou demais, resultando em aumento significativo de peso ou perda de peso
  • apresentar comportamentos imprudentes, incluindo consumo excessivo de álcool ou drogas
  • evitando interações sociais com outros
  • expressar raiva ou intenções de vingança.

Tratamento

O tratamento dependerá da causa subjacente dos pensamentos e comportamentos suicidas. Na maioria dos casos, no entanto, o tratamento consiste em psicoterapia e medicação.

Psicoterapia

A psicoterapia, é um método de tratamento possível para reduzir o risco de suicídio. A terapia comportamental cognitiva (TCC) é uma forma de terapia onde a conversa é frequentemente usada para pessoas que estão tendo pensamentos suicidas. Ensina como trabalhar com eventos e emoções estressantes que podem estar contribuindo para esses pensamentos e comportamentos suicidas. Esta terapia também pode ajudar a substituir as crenças negativas por positivas e recuperar a sensação de satisfação e controle da vida.

Tratamento medicamentoso

Se a psicoterapia não surtir efeito para reduzir o rico de suicídio, drogas  podem ser prescritas por um médico para aliviar os sintomas causados ​​por certas condições de saúde física e mental. Tratar a causa subjacente dos sintomas pode ajudar a reduzir a frequência dos pensamentos suicidas. As mais utilizadas são:

  • antidepressivos
  • medicamentos antipsicóticos (atípicos)
  • medicamentos ansiolíticos (apenas para controle da ansiedade)

Além de tomar medicação e participar da psicoterapia, é recomendado fazer certos ajustes no estilo de vida. Esses incluem:

Evitar o álcool e as drogas: se abster de usar álcool e drogas, pois essas substâncias podem aumentar a frequência de pensamentos suicidas.

Exercitar-se regularmente: exercitar pelo menos três vezes por semana, especialmente ao ar livre e com luz solar moderada, também pode ajudar. A atividade física estimula a produção neurotransmissores que fazem com que o indivíduo sinta-se mais feliz e mais relaxado.

Dormir bem: também é importante ter pelo menos seis a oito horas de sono todas as noites.

Para ajudar a prevenir pensamentos suicidas, recomenda-se

Falar com alguém. Evitar tentar controlar os sentimentos suicidas inteiramente por conta própria. Obter ajuda profissional e apoio de entes queridos pode tornar mais fácil superar quaisquer desafios que causem pensamentos ou comportamentos suicidas. Existem também inúmeras organizações e grupos de apoio que podem ajudar a lidar com pensamentos suicidas e reconhecer que o suicídio não é o caminho certo para lidar com eventos de vida estressantes.

Prestar atenção aos sinais de alerta. Marque uma consulta com um médico ou terapeuta para aprender sobre os possíveis desencadeantes dos sentimentos suicidas. Isso ajuda a reconhecer os sinais de perigo no início e decidir quais os passos a seguir.

Eliminar o acesso a métodos letais de suicídio. Evitar ficar perto de armas de fogo, facas ou medicamentos perigosos, na presença de pensamentos suicidas.

Mas qualquer que seja o motivo que alguém tenha para pensar em tirar a própria vida, deve ter em mente que esse caminho nunca deve ser opção. Somo seres sociais que precisamos interagir com o outro e falar com pessoas dispostas a ouvir o que nos aflige. Nunca devemos nos esquecer que a morte é um caminho sem volta. Pense na vida, pense em você e nos seus familiares.

A maioria das doenças tem tratamento, os problemas sempre se resolvem, mas a única coisa que não podemos remediar é a morte.

 O dia 10 de setembro é oficialmente o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio Setembro amarelo

Fonte:

1-PRIETO, Daniela; TAVARES, Marcelo. Fatores de risco para suicídio e tentativa de suicídio: incidência, eventos estressores e transtornos mentais. J Bras Psiquiatr, p. 146-154, 2005.

2-http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2017/setembro/21/Coletiva-suicidio-21-09.pdf

3–https://nacoesunidas.org/campanha-da-onu-busca-conscientizar-populacao-sobre-prevencao-ao-suicidio/

4-LOVISI, Giovanni Marcos et al. Análise epidemiológica do suicídio.

5-MINAYO, Maria Cecília de Souza; CAVALCANTE, Fátima Gonçalves. Suicídio entre pessoas idosas: revisão da literatura. Revista de Saúde Pública, v. 44, p. 750-757, 2010.

6- MENEGHEL, Stela Nazareth et al. Características epidemiológicas do suicídio no Rio Grande do Sul. Revista de Saúde Pública, v. 38, n. 6, p. 804-810, 2004.

7- American Psychiatric Association. (2013). Diagnostic and statistical manual of mental disorders (5th ed.). Washington, DC: Author.

Créditos Imagem:

<a href=”https://www.freepik.com/free-photos-vectors/people”>People image created by Mindandi – Freepik.com</a>

Saiba mais:

http://www.flip3d.com.br/web/pub/cfm/index9/?numero=14

Conheça a cartilha para combater o suicídio

https://www.prevencaosuicidio.blog.br/dados

https://www.unesp.br/aci/revista/ed13/com-saida

http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2017/setembro/21/Coletiva-suicidio-21-09.pdf

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