Aspectos forenses relacionados a violência contra idosos

Os aspectos forenses relacionados ao abuso e negligência dos idosos são inexplorados e não documentados em sua maioria. Pesquisadores que atuam nesta área forense acreditam que a incidência sobre maus-tratos e negligência em idosos é aproximadamente equivalente ao de abuso infantil e violência doméstica. No conjunto de populações vitimadas relevantes, há semelhanças e diferenças entre os fatores que contribuem para sua vulnerabilidade e vitimização. As semelhanças incluem a retaliação temida, a estigmatização percebida por ter sido vitimizada, o desejo de não sair de casa, o desejo de proteger o transgressor, outros danos emocionais e, como em alguns casos, pessoas com capacidade reduzida, dificuldades de comunicar o que aconteceu.

Talvez a diferença mais gritante seja que, enquanto crianças e jovens vítimas de violência doméstica geralmente são saudáveis ​​e não devem morrer, os idosos geralmente têm numerosos problemas médicos subjacentes e dependências funcionais sendo considerados mais vulneráveis ​​a estressores que podem levar a morte. Dessa forma quando uma pessoa mais jovem morre de causas explicadas, a causa da morte é quase sempre analisada com cuidado. A morte de uma pessoa idosa, no entanto, raramente é investigada, se é que é, independentemente de fatores de risco ou indícios de possível abuso ou negligência. Além disso, a velhice muitas vezes traz condições médicas e atributos fisiológicos que podem imitar ou mascarar os marcadores de abuso e negligência dos idosos, complicando ainda mais a análise e a detecção.

Apesar dessas muitas complexidades, um dos poucos estudos  na área – ressalta claramente a importância de aumentar a compreensão desses fenômenos. Neste estudo  foi observado que o abuso e a negligência direcionados a idosos reduzem significativamente a vida das vítimas mais velhas, controlando inclusive todos os outros fatores. Incidentes de maus-tratos que muitos percebem como menores podem ter um impacto debilitante na vítima. Um único episódio de vitimização pode “derrubar” a vida de uma pessoa mais produtiva e autossuficiente. Em outras palavras, como as vítimas mais velhas costumam ter menos sistemas de apoio e reservas – físicas, psicológicas e econômicas – o impacto do abuso e da negligência é ampliado, e um único incidente de maus tratos tem maior probabilidade de desencadear uma espiral descendente que leva à perda de independência. , grave doença complicada e até a morte.

Infelizmente, há uma escassez de dados primários relacionados a marcadores forenses de abuso e negligência de idosos, ou mesmo em relação aos próprios fenômenos. A ciência forense considera vários potenciais marcadores forenses de abuso e negligência de idosos, incluindo: escoriações, lacerações, contusões, fraturas, contenções, decúbitos, perda de peso, desidratação, uso de medicamentos, queimaduras, problemas cognitivos e de saúde mental, higiene e abuso sexual. Inclui-se nessa lsta fraudes e exploração financeira porque elas frequentemente coexistem com abuso físico e emocional e negligência. Alguns dos marcadores discutidos são observações reais (como hematomas ou fraturas), enquanto outros são descrições ou conclusões baseadas em observações subjacentes (por exemplo, abuso sexual é uma conclusão que pode resultar da observação de uma ruptura vaginal ou hematoma abdominal, e uma conclusão de negligência pode resultar da observação de má higiene e queimaduras). Alguns dos marcadores também são fatores de risco potenciais (por exemplo, autonegligência, problemas cognitivos e de saúde mental e abuso financeiro). Mas as evidências atuais sobre fatores de risco não nos dizem a quantidade de risco conferida ou por qual mecanismo.

O termo forense é definido como pertencente à lei ou empregado em processos judiciais. Assim, os marcadores forenses de abuso e negligência de idosos são fatores que são relevantes para determinações médicas e legais sobre se ocorreu abuso ou negligência a idosos. É urgente a necessidade de definições consistentes e baseadas em evidências para auxiliar os profissionais de saúde a detectar, tratar, responder, encaminhar e compreender melhor esse grave e cada vez mais importante problema de saúde pública. São necessárias definições jurídicas coerentes para profissionais de segurança pública e legal para determinar quando a lei pode ter sido quebrada, que tipos de processos criminais, civis ou administrativos podem ser perseguidos, e para legisladores determinar quais novas leis devem ser propostas ou promulgadas.

Expandir o conhecimento forense é vital para todas as inúmeras maneiras em que se espera que a lei aborde o abuso e negligência dos idosos. Intervenções legais potenciais incluem o seguinte: entidades policiais federais, estaduais e locais (incluindo promotores, investigadores e policiais) podem investigar casos criminais e civis relacionados a alegações de abuso e negligência de idosos.

Fonte:

Abrams WB, Beers MH, Berkow R, Fletcher AJ, editors. The Merck Manual of Geriatrics, Second Edition.Whitehouse Station, NJ: Merck & Co.; 1995. Cognitive failure: Delirium and dementia.

Alessi CA, Struck AE, Aronow HU. The process of care in preventive in-home comprehensive geriatric assessment. Journal of the American Geriatrics Society. 1997;45:1044–1050.

American Medical Association (AMA). Diagnostic and Treatment Guidelines on Elder Abuse and Neglect. 1996;AA25:96–937. 4M:12/96.

Aravanis SC, Adelman RD, Breckman R, Fulmer TT, Holder E, Lachs M, O’Brien JG, Sanders AB. Diagnostic and treatment guidelines on elder abuse and neglect. Archives of Family Medicine. 1993;2:371–388.

Butler RN. Warning signs of elder abuse: The family physician may be the patient’s only protection from family violence. Geriatrics. 1999 March;54(3):3–4.proteção do paciente contra a violência familiar. Geriatria. Março de 1999; 54 (3): 3–4.

Arash Ghodousi, Safa Maghsoodloo, Seyed Mohsen Sadat Hoseini. Forensic aspect of elder abuse: risk factors and characteristics J Res Med Sci. 2011 Dec; 16(12): 1598–1604.

Morowatisharifabad, Mohammad Ali et al. “Domestic Elder Abuse in Yazd, Iran: A Cross-Sectional Study.” Health Promotion Perspectives 6.2 (2016): 104–110. PMC. Web. 8 Apr. 2018.

Créditos Imagem:

https://www.maltatoday.com.mt/lifestyle/health/54300/400_cases_of_elderly_abuse_since_2013#.Wso6wIjwbIU

Compartilhe isto: